terça-feira, janeiro 29, 2008

era ontem em sintra


era ontem em sintra numa tarde de inverno
clara e pouco fria sem brumas de mistério
o castelo no alto a deixar-se ver inteiro
eu a querer ver antes se por lá me perdia
cega entre os cheiros e segredos da serra
a magia o silêncio de todas as árvores os
ramos os musgos verdes os tapetes as acá-
cias invasoras que até já floriam ontem e
era cedo em sintra nessa tarde de inverno
talvez um tudo nada fria tarde que teria
sido breve como qualquer outra tarde em
sintra se como te competia noite tivesses
chegado no teu passo leve mas certo e o
dia de ontem agora estranhamento incerto
não perdurasse e ainda agora eu veja es-
sa mesma luz de sintra luz de ontem presa
aos musgos da tarde de ontem breve clara
eternamente breve um tudo nada muito fria

mas já as acácias derrubaram os carvalhos
quase me esquecia

Bárbara Pais, in Não Sei Falar de Mim, inédito, 2008
Foto: Isabel Solano

1 comentário:

Chiara Luna disse...

Há pouco fui levar uma foto de Flavita para emoldurar.
Era de Sintra.
Ao ler este texto fui invadida:

e ainda agora eu veja es-
sa mesma luz de sintra...

Vou ficar aqui um pouco diante desta luz.