segunda-feira, novembro 30, 2009

Cascata


Dos teus dedos, quando tocam teclas de água,
Escorre um rio que lava as minhas lágrimas
E me devolve os sonhos que quis ter um dia
Presentes, vivos, num rodopio tonto de euforia

Dos teus dedos, quando acordam calmarias,
Desprendem-se em cascata todas as fantasias
E rolam revoltas as minhas ideias – tão soltas –
Por entre os seixos dóceis e os juncos complacentes

Nos teus dedos me perco e encontro o curso fluido
Transparente, da minha alma que pensava ausente

29.11.2009

Isabel Solano, in Sem nós na garganta, inédito, 2009.
Foto: Isabel Solano