quinta-feira, novembro 29, 2007

Café Literário

Noite de Café com Letras, esta, e alguns apontamentos aqui no blogue enquanto ainda está tudo fresco na memória. Carlos Vaz Marques à conversa com o poeta Fernando Pinto do Amaral, mais as achegas e curiosidades da assistência. Muito interessante e a lembrar-me o pouco que sei e o quanto me afastei durante anos destas coisas.

Fernando Pinto do Amaral, para além de poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor, ficcionista, mostrou-se um excelente conversador. Fiquei interessada em conhecer o seu trabalho na tradução de Baudelaire e Borges e, é claro, vou querer conhecer melhor a sua poesia, para além de também querer espreitar a sua tese de doutoramento sobre a melancolia na poesia portuguesa do século XX. FPA falou do seu percurso de vida, da relação (tensa?) entre o trabalho de crítico e o de poeta ou escritor. E depois, de tantos outros assuntos que vieram na conversa como as cerejas.

Gostei do seu conceito de ironia a fugir à definição retórica clássica, a "ironia a meio caminho", a mais eficaz. Da explicação sobre a preferência do uso da segunda pessoa do singular, do cansaço do eu (eu tenho experimentado o nós e entendo-me bem com ele pelos mesmos motivos). Do "já pouco te dói como doía" e da dor provocada pela falta de dor aos 45 anos, porque não sofrer tanto como se era capaz com outra idade e noutras circunstâncias também provoca sofrimento. Como percebi bem isto! Falou-se da arte como aquilo que inquieta, das "correntes" poéticas actuais (Pedro Mexia, entre outros), de como o Modernismo já é um clássico, do ecletismo do pós-modernismo e daquilo que poderá vir aí no futuro. Curiosidade, acima de tudo e sempre, dizia FPA! E muito mais se disse: da poesia enquanto crisálida, pele que se muda; da autenticidade! A autenticidade da contradição porque é coesa, porque somos contraditórios por natureza. Falou-se de Pessoa, de Borges e seus espelhos e labirintos, da escrita automática surrealista do "salga como salga". Das influências de Ruy Belo e outros. Dos ateliers/oficinas de escrita criativa (que também vou experimentando com os meus alunos). E muito, muito mais que não consigo já registar aqui, só porque é tarde e amanhã saio cedo da poesia para o trabalho...

Gostei de rever na assistência uma cara conhecida das Galveias, poetisa também; na conversa breve não tive oportunidade de lhe dizer que gostei muito dos seus poemas, dos que leu nas Galveias. Fique a sabê-lo se aqui me visitar! Em todo o caso, tenho para mim que nos encontraremos mais vezes.

Próximo Café a 13 de Dezembro com Eduardo Lourenço. Sim, que o mundo real continua a superar o dos blogues e afins, apesar de todas as virtualidades do ciberespaço. Por falar nessas virtualidades, agradeço os mails simpáticos acerca deste blogue e agradeço as muitas visitas silenciosas também.

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