sábado, novembro 24, 2007

A ânfora restaurada

Foi a minha estreia nos encontros do Palácio Galveias. Disse-se poesia de uma forma simples: poemas dos presentes ditos pelos próprios, poemas de outros, poemas... Caloira, não levava nada comigo, mas logo me deram que fazer. Do boletim da Associação, fiz uma escolha rápida que recaiu sobre um soneto muito bonito, "Ânfora", de Carmo Vasconcelos.

Para a próxima, voltarei, quem sabe se com coragem para ler algum dos meus rabiscos?


ÂNFORA

Esvaziada me deixa a tua ausência
O mundo ao meu redor é um deserto
Vislumbro-te um oásis se estás perto
Romã e cidra é tua imanência

Quando te vais, fontes em mutação
Libertam gotas acres e salgadas
São lágrimas as águas derramadas
Que de mim brotam em desolação

Penetraste, símil, em minha aura
Pintando a cor ideal, a que restaura
Os danos incrustados em cegueira

E a ânfora que eu era estilhaçada
Colada a este amor está restaurada
Voltei, amado meu, a ser inteira

Carmo Vasconcelos, in Boletim da Associação Portuguesa de Poetas, nº39, 2007 (que me desculpe a APP e a autora se a referência não estiver correcta)
Foto: Isabel Solano

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