sexta-feira, novembro 02, 2007

Luísa Veríssimo

Detesto limpezas, quer dizer, detesto fazer limpezas. Prefiro quando as fazem por mim. Mas limpar é preciso. Outras vezes, nem por isso. Isto a propósito de quê? De nada, nem tudo tem de ter uma razão. Ah, já sei, a propósito de uma conversa de cabeleireiro, sobre pessoas com a mania das limpezas, que aquilo está-lhes na medula, que é uma forma de aliviar o stress. Dizem que nos barbeiros também há conversas surpreendentes. Para a próxima, hei-de ir a um barbeiro.

Mais um inédito dos que me chegam às mãos.



MÉNAGE

Limpou da alma já vazia
o pó que não existia
e quedou-se por ali
esperando o que não sabia

Olhou em volta
não viu ninguém
abriu a porta
mas não saiu

Voltou, sentou-se
pegou no pano
e limpou da alma
qualquer engano

Luísa Veríssimo, in A Ponta Mentos, inédito de 2007.

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