quinta-feira, novembro 08, 2007

Não quero a boa razão das coisas

Manoel de Barros, esse grande poeta brasileiro que me foi dado a conhecer pelo amigo Goga. Obrigada, Goga!



Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.

Manoel de Barros, in O Encantador de Palavras, Quasi, 2000

1 comentário:

mateo disse...

Viva a loucura!
Beijo.