domingo, dezembro 23, 2007

Quero tudo quanto tem um brilho

Este livrinho de Pedro Strecht não só tem belíssimos poemas, como fotografias muito bonitas do autor, a preto e branco.


só nos descobrimos completamente
com o que alguém reflecte de nós

alguma ciência do adeus repete-se
sempre que cada dia chega ao fim
por isso quero tanto sobrepor à morte
tudo quanto tem vida um brilho
como os que vou conhecendo e amparo
passando calmamente aqui à frente
deixando o tempo ao lume a aquecer
nem eles sabem os encantos que têm

e é assim que ouço mais vozes
que ardentemente procuram
o amor
onde está que é feito dessas letras simples
há tantas coisas complicadas cheias de nada
e morrem morrem os últimos românticos
um a um caem ou deixam-se abater
calam-se as suas músicas apagam-se as letras
tenho pena e as saudades congelam
ao ritmo a que secam os campos sem chuva

(...)

Pedro Strecht, in "Escrevo-te e é tudo", 1979 Outros Poemas, edição de autor, 2002
Foto: Isabel Solano

1 comentário:

Chiara Luna disse...

Vim novamente.
Uma boa leitura para meu anoitecer.
Fico um pouco aqui e agora.
Boa noite.