domingo, fevereiro 03, 2008

Cá dentro


Hoje há tempestade
nestas folhas vai vendaval de letras
pontuação à solta revolta
misturam-se os meus cabelos
nas frases emaranhadas
as ideias nos dedos às voltas

Hoje há tempestade
desfolham-se os pássaros
morrem as árvores em quedas
disparatadas impedindo estradas
e na enxurrada correm restos
de vidas destroçadas

Hoje há tempestade
folheio livros antigos
revejo todos os sonhos idos
peso a alma enquanto chove
entre os trovões que estalam
tenho-me apaziguada

Hoje há tempestade
é lá fora que anda
a mim não me estorva nada

Bárbara Pais, in Não Sei Falar de Mim, inédito, 2008
Foto: Isabel Solano

1 comentário:

Chiara Luna disse...

Preciosa foto para este texto lindo.