sábado, janeiro 19, 2008

Mãos a vários tempos


Olho a janela
onde nascem cogumelos
sob dedos
que teceram rendas brancas

há mãos que moram nela:
mãos prendas
de um tempo que foi
mãos de hoje
do artesão
que ainda há pouco lá passou

e neste outro tempo em que vejo
- tempo só de cogumelos
sob dedos de rendas
para lá de transparências
tudo na mesma janela -
deixo os meus olhos nela
trago as mãos

para que teçam
entreteçam
sons de palavras
sem rendas
brandas
talvez brancas

Bárbara Pais, in Quase Entrecho, inédito, 2008
Foto: Isabel Solano

1 comentário:

Chiara Luna disse...

Palavras brotam nesta página.
São palavras acalentadas, buscadas com leveza.
No aguardo do momento adequado.
E a imagem que percebe e anexa a palavra.
Obrigada Isabel, por compartilhar sua busca conosco.