terça-feira, janeiro 15, 2008

É que eu te falo das palavras


O SILÊNCIO

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade, in "Poesia", Poesia em Verso e Prosa, Círculo de Leitores, 1980
Foto: Isabel Solano

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