sábado, abril 05, 2008

Arranja-me coisas de areia


PEDIDO DE EMPRÉSTIMO

Arranja-me uns versos para o verão.
Coisas de areia, de memória
e sem futuro. Passos das tuas coisas
em volta, a luz perdendo
que guia o pescador, o turista
e o amante em aventuras com regresso
aos quartos onde repousa para o fim
a escassa vida.

Escreve como quem descreve quase
o fim do amor, da casa, do caminho
o teu ao meio-dia de agosto
quase inteiro de sol
e outras poentes alegrias.

António Manuel Azevedo, in "Que mal podem as palavras", As Escadas não têm Degraus, 3, Cotovia, Lisboa, 1994
Foto: Isabel Solano

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