sexta-feira, maio 23, 2008

Campo de Ourique


Campo de Ourique
à hora em que a luz
é ouro nos carris
e os eléctricos
passam cheios

avós devolvem os netos
aos pais cansados
e os pombos mais uma vez
esvoaçam assustados
entre fumos de automóveis
e ruído de autocarros

Campo de Ourique
em hora de tempo
que corre parado
e de gente apressada
sem saber de quê

duas velhas trocam conversas
velhas conversas de bairro
e o par de namorados
no banco do jardim
troca beijos e promessas
de amanhã voltar ali

Campo de Ourique
à hora de sempre

23/05/2008

Isabel Solano, in Entretextos, inédito, 2008.

Foto: Isabel Solano

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