quarta-feira, junho 04, 2008

Só os homens têm o privilégio do absurdo


Na manhã de um dia tão diferente
Em que o sol nasceu a poente
E a Terra parou simplesmente de rodar,
Ouviram-se choros e gritos,
Viram-se olhos abertos de terror
Nos homens e mulheres que corriam,
Aflitos, levando nos braços
As crianças, suas esperanças.

Mas as ovelhas não sairam dos pastos,
As aves não deixaram de cantar
E os rios continuaram
em marcha lenta para o mar.

Aquilo que é de razão,
Tanto quanto a falta dela,
Só os homens,
Na sua infinita racionalidade,
Entendem.

Fevereiro de 2007

Luísa Veríssimo, in A Ponta Mentos, inédito, 2007

Foto: Isabel Solano

Sem comentários: