segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Crateras na noite


Queres o beijo da lua
enquanto na terra bebes o mar
em vagas de esperança
deitadas sobre as dunas
de areias finas à luz crua
e fria do teu olhar.

Ergues o tronco
como quem quer ser de novo,
fitas um horizonte qualquer
que julgas perceber,
mas não te vês descalço,
a areia entranhada
entre os dedos dos pés,
colada em ti.

Lá em cima a lua ri-se
e as gargalhadas redondas
abrem crateras na noite.

9/11/2007

Bárbara Pais, in In Vida Veritas, inédito, 2007
Foto: Isabel Solano

1 comentário:

AC Rangel disse...

Não podemos deixar que a lua, inadvertidamente, seja coberta por crateras, provocadas por suas gargalhadas.
Belíssimo poema da Bárbara, aberto numa página lindíssima.
Parabens Isabel.
Beijo