segunda-feira, abril 13, 2009

Dos infiéis defuntos

A Ruy Belo

Este país já nem sequer existe
a primavera mente mansa e morna
o tempo corre em ritmo decadente
o vento sopra forte e apaga os traços
dos passos que deixamos pelo caminho

Este país extinguiu-se mudo para o mundo
e nem o mar que um dia tanto amou
chorou o instante em que ele se finou

29/03/2009

Isabel Solano, in Esquecimento global, inédito, 2009.
Foto: Isabel Solano

3 comentários:

Chiara Luna disse...

Isabel, palavras como um cinzel.
Impossível deixar de sentir.
Imposssível não ver.
Impossível

Eduardo Trindade disse...

Mas talvez viva ainda enquanto houver em algm canto quem por ele ame o mar...
Gosto das tuas palavras... Um abraço grande!

Sofia de Magalhães disse...

Decadência e bom gosto, como não me apaixonar? Nem sei se gosto mais do poema, se da imagem e, de resto, um sem o outro já não fariam sentido. Vamos então fazer votos para que, tal como tantos outros, vão vivendo muito felizes -mesmo sem se casar ter filhos.

(:

I'm glad I have you back on my blog, Madame Solano!