
(ESCRE)VER-ME
nunca escrevi
sou
apenas o tradutor de silêncios
a vida
tatuou-me nos olhos
janelas
em que me transcrevo e apago
sou
um soldado
que se apaixona
pelo inimigo que vai matar
Mia Couto, in Raiz de orvalho, Caminho, 1999
Foto: Isabel Solano
Poesia lusófona e fotografia
0 comentários:
Enviar um comentário