Poesia lusófona e fotografia: Bárbara Pais, Isabel Solano, Luísa Veríssimo, Rui de Morais e todos os Mestres
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Quarta-feira, Agosto 06, 2008
Sábado, Maio 31, 2008
ou flor
Domingo, Abril 20, 2008
Abrirás com a Primavera
Sábado, Março 15, 2008
Na extrema e lenta doçura da tarde

EM LOUVOR DO FOGO
Um dia chega
de uma extrema doçura:
tudo arde.
Arde a luz
nos vidros da ternura.
As aves,
no branco
labirinto da cal.
As palavras ardem,
e a púrpura das naves.
O vento,
onde tenho casa
à beira do outono.
O limoeiro, as colinas.
Tudo arde
na extrema e lenta
doçura da tarde.
Eugénio de Andrade, in Antologia Poética-5, Porto Editora, Porto, 1974
Foto: Isabel Solano
Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008
Eu sou daqui

CANÇÃO BREVE
Tudo me prende à terra onde me dei:
o rio subitamente adolescente,
a luz tropeçando nas esquinas,
as areias onde ardi impaciente.
Tudo me prende do mesmo triste amor
que há em saber que a vida pouco dura,
e nela ponho a esperança ou o calor
de uns dedos com restos de ternura.
Dizem que há outros céus e outras luas
e outros olhos densos de alegria,
mas eu sou destas casas, destas ruas,
deste amor a escorrer melancolia.
Eugénio de Andrade, in Antologia Poética, Porto Editora, 1974 (de Os Amantes sem Dinheiro)
Foto: Isabel Solano
Terça-feira, Janeiro 15, 2008
É que eu te falo das palavras
O SILÊNCIO
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade, in "Poesia", Poesia em Verso e Prosa, Círculo de Leitores, 1980
Foto: Isabel Solano
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
Foi há tanto tempo...

POEMA À MÃE
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...
Boa noite. Eu vou com as aves!
Eugénio de Andrade, in Poesia em Verso e Prosa, Círculo de Leitores, 1980
Foto: Isabel Solano
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(English translation found in Wikipedia)
POEM TO MOTHER
In the deepest of you,
I know I have betrayed, mother!
All because I no longer am
The sleeping portrait
In the depth of your eyes!
All because you ignore
That there are beds where coldness doesn’t linger
And rustling nights of morning waters!
For that, sometimes, the words I tell you
Are hard, mother,
And our love is unhappy.
All because I’ve lost the white roses
You clenched to your heart
In the portrait with the frame!
If you knew how I still love the roses,
Maybe you wouldn’t fill your hours with nightmares...
But you have forgotten many things!
You have forgotten that my legs grew,
And that all of my body has grown,
And even my heart
Is now huge, mother!
Look – do you want to listen? -,
Sometimes I am still the little boy
That fell asleep in your eyes;
I still clench against my heart
Roses so white
As the ones you have in the frame;
I still hear your voice:
Once upon a time there was a princess
amidst the orange trees...
But – you know! – the night is enormous
And all my body has grown...
I left the frame,
I gave my eyes as water to the birds,
I shan’t forget, mother.
I keep your voice inside me.
And I leave you the roses...
Goodnight. I go with the birds!
(Eugénio de Andrade)
Terça-feira, Dezembro 18, 2007
Na orla do mar vou colher
Esta antologia velhinha que fui descobrir esquecida é um autêntico guarda-jóias, e bem recheado. Poesias escolhidas por Hortense César de José Gomes Ferreira, Manuel da Fonseca, Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio. Revendo o meu arquivo de fotografias, já tinha escolhido a que me apeteciar visitar hoje com palavras, estas de Eugénio de Andrade.

NA ORLA DO MAR
Na orla do mar,
no rumor do vento,
onde esteve a linha
pura do teu rosto
ou só pensamento
-e mora, secreto,
intenso, solar,
todo o meu desejo-
aí vou colher
a rosa e a palma.
Onde a pedra é flor,
onde o corpo é alma.
Eugénio de Andrade, in Antologia Poética, Porto Editora, 1974
Foto: Isabel Solano

NA ORLA DO MAR
Na orla do mar,
no rumor do vento,
onde esteve a linha
pura do teu rosto
ou só pensamento
-e mora, secreto,
intenso, solar,
todo o meu desejo-
aí vou colher
a rosa e a palma.
Onde a pedra é flor,
onde o corpo é alma.
Eugénio de Andrade, in Antologia Poética, Porto Editora, 1974
Foto: Isabel Solano
Quarta-feira, Dezembro 05, 2007
Em ruína
Quinta-feira, Novembro 15, 2007
Morre-se devagar
Segunda-feira, Novembro 05, 2007
Eugénio de Andrade
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